Esses mentecaptos enchem! Acumulam-se vertical e horizontalmente por corredores empilhados e quase infinitos. Suam juntos. Fedem coletivamente. Riem, apesar de variarem o trecho, com seus sorrisos banguelas. Pior é quando rastejam sobre suas próprias gosmas, mix de vômito com anfetamina e testosterona. Camisas brancas por aqui não se vê. Estão todas encardidas, principalmente nos colarinhos e embaixo dessas axilas ricas em dermatóides. É que as mulheres deles são umas porcas, não sabem lavar sequer sovaco de camisa. Escarram no feijão, as cretinas. Os filhos, então, uma gangue de capetas-generais. Estupram as professoras e mijam nos monumentos. Ainda tem os cachorros e as pulgas. Muitas malditas pulgas. Infestam as cortinas, os tapetes, as toalhas, o berço do neném. Os corredores precisam ser lavados com cândida na razão de 3 pra 1 com a água. Os germes, também acumulados vertical e horizontalmente, alojam-se carnívoros atrás das orelhas mentecaptas, o que faz os próprios germes conotarem-se mentecaptos. As esposas dos germes pelo menos ficam com eles nos alojamentos. É que não precisam ficar em casa pra lavar camisas ou escarrar no feijão. Germes não usam camisas brancas. São marrons. Então podem ficar sujas que não tem problema. E o feijão eles comem no suor do hospitaleiro. Mas não pense em absolver essas criaturinhas nojentas. Não teriam elas também sua própria craca atrás da orelha? E assim nano-germe adentro? Uma faísca me contou que elétrons são piolhos dos prótons. Coceiras de uma alma neutra e positiva. Só que os átomos, corredores quase infinitos, alojam elétrons acumulados moléculas a fio. Eles se movem, horizontal e vertical simultaneamente. Ardorosamente e por vezes em choque, mentecapta nossas sinapses espiraladas, nascidas na festa da matéria inerte.