@joze_caozinho

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o rei.

Em Os Artigos Nefastos, E3631pm08201036 UTC08 às 22:05

Senil contrata flor a um barril. Tal manchada causara um turvor na alma daquela gente que até os cães ficavam com a cara virada para as paredes, esforço brutal para não atacar seus donos. O rei, o trono, a lei e o perdão se corrompiam para manifestar suas tempestades gozozas, enclaustro serrado de marfim e ouro, donde muitos outros bons guerreiros morreram no caminho, agigantando os passos incautos e apaixonados de Ulisses, Prometeu e Homero. As gentes se colocaram em desespero, começando a imitar os cachorros, olhando pras paredes, esforço brutal para não atacar seus donos.

Abriram-se as portas do castelo de barro, percebeu-se que lá dentro os aposentos meio derretidos, lama por toda parte. Sai aquele patrono de tais e tais galáxias, com a cara suja, mas isso é boato porque ninguém viu a cara dele, todos virados pra parede.

Escureceu o feudo. A chuva terminou o término do castelo. O povo estava livre. Cavaram como topeiras para fora daqueles lados. A promiscuidade havia corrompido até os solos, as sementes nos solos. Os frutos eram os mais pecaminosos. Havia muitas pragas por lá. Os vermes faziam metrópoles e as lombrigas cada vez mais gordas. O putrefato do ar se dividia em várias intensidades, sendo que a mínima delas já era capaz de cegar um homem. Quem procura vendado encontra a Cidade dos Tirésias. Vagam alimentados de ar e sol. Não sentem sede, quase cactos mas sem espinhos. São a justiça. Injusto mundo. Deus nos salve.

vermelhofebre

Em Os Artigos Nefastos, E2831pm08201028 UTC08 às 22:00

Os horizontes estão tomados por tropas imperialistas. A invasão de Guantanamo só serviu para aumentar a tensão e fortalecê-los ainda mais  em suas razões loucas. O nevoeiro é espesso, vem cravejado de chumbos. Os homens correm à luta, caindo feito abacates podres na lama do descampado. E o Messias está com eles, criança raptada dos braços da sua mãe prostituta. Alguém levou as chaves do tanque, o capitão, talvez o coronel. Fica fazendo ronda de tanque para comer as cubaninhas esfomeadas. As bananas estão acabando, vá procurar mais! Traz lenha também mas nem adianta porque não para de chover nessa merda de país tropical. Coronel filho da puta.

Chamem as tribos. Avisem que depois do combate de hoje essas partes ficarão sem dono. Vão chegar de máscaras de folia de Reis. Vão dançar alegres sobre nossos corpos e armas. O por-do-sol anda muito cinza. Isso acontece quando estão tramando do lado de lá. Charutos de Havanna, quepes bonitos, medidas de contenção. Idiotas. Não é possível conter uma alma febril em expansão. A lava do vulcão. A porra do meu pau. Há coisas que não se pode voltar atrás. Uma é o cemitério a céu aberto, outra, um aborto secreto enterrado nas entranhas da mãe terra.

O canto asteca já ecoa de novo nessas montanhas, onde eles batucam no miolo das pedras. Já devem ter começado suas pinturas, seus ritos, suas danças, prevendo a felicidade que será o sol vazio iluminando os homens do combate em decomposição, servindo já de adubo para a plantação seguinte.

A ração está no fim. Os cobertores estão gastos, as calças rotas e as botinas carcomidas de ratos do tamanho de antas. Não tem ninguém esperando, ninguém dormindo ninguém gemendo. Só um silêncio oco, de fim de festa, copa perdida, assalto a mão armada. Já acabou o silêncio inaudível, de crimes insolúveis e chacinas históricas. Aborto filho da puta. Messias desamparado. Astecas ensandecidos.

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